Ferramentas

Data Storytelling: como contar histórias com dados

Portal Carreira
Escrito por Portal Carreira em 9 de outubro de 2020
Junte-se a mais de 80 mil pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

A análise de dados para tomar decisões é uma prática comum dentro das empresas. E uma técnica que tem sido cada vez mais usada para isso é a Data Storytelling que, em tradução literal, significa narrativa de dados.

Por que usar o Data Storytelling?

A proposta é usar os dados disponíveis para apresentar uma ideia em uma campanha de marketing ou mesmo dentro da própria empresa e, para isso, são usados elementos narrativos, juntamente com formatos visuais que facilitem a compreensão, como gráficos, mapas, entre outros recursos. 

Não é difícil entender a importância do Data Storytelling, afinal, as principais decisões que são tomadas em uma empresa são baseadas em dados, certo? E é justamente a forma com que essas informações são apresentadas pelo analista ou cientista de dados que irão determinar os caminhos a serem seguidos.

Segundo uma pesquisa realizada pelo LinkedIn em 2015, a análise estatística e de tratamento de dados é a segunda habilidade mais desejada pelas empresas e pelos recrutadores.

Por meio de uma narrativa atraente é muito mais fácil tornar toda a informação mais acessível e prender a atenção do público-alvo. Para isso, além das imagens, é claro que é preciso ter ainda uma boa argumentação, com contexto e personagens. 

Data storytelling X Data Visualization

Essa é uma explicação importante: não se engane! O Data Storytelling não é apenas preparar uma apresentação com visualizações de dados e estatísticas em PowerPoint, dashboards do Excel ou outro programa. 

Como já dissemos, a narrativa é tão importante quanto os números aqui e, por isso, ele é a junção da comunicação humana, por meio de uma história bem contada (Storytelling), com a visualização dos dados (Data Visualization). Podemos dizer que os números são usados para legitimar a história.  

A importância do Data literacy para a narrativa de dados

Uma coisa é fato: nunca se produziu tantos dados. Com isso, fica a questão do que fazer com tanta informação. Já dissemos que explicar de uma forma atraente é a forma mais eficiente para isso. No entanto, de que adianta criar essa narrativa com perfil persuasivo se ela não é acessível a quem realmente interessa, que são as pessoas?

É essencial que haja uma alfabetização de dados dentro de uma organização. E é exatamente disso que se trata o Data literacy. Segundo a pesquisadora de marketing Iara Vianna explicou em um artigo publicado no Blog da ILUMEO – Data Science Company, essa é “a capacidade de ler, entender, criar e comunicar dados como informação. A alfabetização em dados concentra-se nas competências envolvidas no trabalho com dados”.

As empresas Qlik e a Accenture criaram um relatório chamado The Human Impact of Data Literacy, sobre o atual cenário da alfabetização em dados nas empresas. A pesquisa foi realizada em nove países, com mais de 9 mil pessoas e mostrou que 74% dos entrevistados relatam se sentir infelizes (despreparados, inseguros) ao trabalhar com dados, mas acreditam que  treinamentos em alfabetização de dados os fariam mais produtivos. 

Jordan Morrow, Data and Analytics Executive na Qlik, comentou que “esperar que os funcionários lidem com dados sem fornecer o treinamento certo ou as ferramentas apropriadas é como pescar sem as varas, iscas ou redes”.

Para Iara, antes das empresas investirem uma fortuna em projetos que envolvam uso de dados, o indicado é investir nas pessoas e nas suas capacitações, uma vez que, na visão dela, são “a chave para o sucesso das estratégias de data science e de quaisquer outros projetos”.

A especialista diz ainda que, para isso, se for preciso, deve ser dado um passo atrás ou desacelerar o ritmo de implantação das análises para alfabetizar os colaboradores. “Os resultados em médio e longo prazo se justificarão”.

Qualquer pessoa pode usar o Data Storytelling?

Sim! A verdade é que as principais exigências para usar essa técnica são: capacidade de ler, trabalhar, analisar e argumentar com as informações (o que envolve também saber contar as histórias). 

Uma vez que você tem esses skills, o importante é criar uma apresentação bem estruturada, que permita apresentar os dados da melhor forma. Para isso, alguns passos são essenciais. São eles:

Defina um objetivo

Comece com a pergunta mais importante: o que você quer que o seu público compreenda no final da narrativa? É a partir desse questionamento que toda a apresentação deverá ser criada. Aqui, também é preciso considerar quem é o seu público, o quanto ele entende de dados e quais as respostas ele busca.

Use uma linguagem simples

Lembre-se de que o objetivo dessa narrativa de dados é cativar o público. Por isso, use uma linguagem informal e dinâmica, como se estivesse mesmo contando uma história. 

Encontre a narrativa

Todo dado tem uma história por trás. É isso que você precisa encontrar para montar uma apresentação que faça sentido. Estude cada aspecto desses números, encontre qual é o principal insight que esses dados transmitem e use-os para defender a sua ideia.

Não exagere nas informações

Para montar a sua apresentação, certamente, você irá reunir um grande volume de informações. No entanto, isso não quer dizer que tudo é relevante para o seu público. Considere o que de fato é indispensável para a sua narrativa e o que as outras pessoas conseguirão absorver.

Só para se ter uma ideia, segundo um artigo publicado no Manner of Speaking, “quando alunos são convidados a recordar os discursos que assistiram, 63% lembram as histórias. Apenas 5% se lembram de qualquer estatística individual”.

Faça uso dos elementos visuais

Para apresentar os dados, é preciso trazer uma apresentação atrativa. Para isso, conte com um layout simples e bonito, que chame a atenção para os números, mas sem “brigar” com eles. Além de gráficos e infográficos, aposte ainda em outros recursos visuais, como fotos, gifs e vídeos. 

Cite as referências

Ao final da apresentação, cite as referências usadas para construir a sua narrativa e análise de dados. Vale ainda compartilhar os materiais e links com o público, para que ele possa consultar e se aprofundar posteriormente. 

Momento STAR para uma apresentação de sucesso

Toda apresentação precisa de um momento ápice, aquele insight que as pessoas vão comentar ao sair dali. É o que autora americana e expert em apresentações, Nancy Duarte, define como STAR – Something They’ll Always Remember – ou, em bom português, – “algo que eles sempre se lembrarão”. 

É esse momento que vai ser o responsável por reforçar o seu discurso. Difícil? Calma! A autora dá um direcionamento para garantir o STAR. Segundo ela, há cinco tipos e cabe ao orador escolher qual se encaixa melhor no tema da apresentação e no perfil de quem está no comando. São eles:

Dramatização memorável: se você quiser colocar seu lado ator em jogo, tudo bem. Mas também pode fazer uso apenas de pequenas dramatizações.

Repetição de frases de efeito: uma frase de efeito pode fazer com que as pessoas compartilhem mais a sua ideia e serve, até mesmo, para citações posteriores em matérias ou posts nas redes. 

Visual evocativo: aqui vale aquela máxima: “uma imagem vale mais do que mil palavras”. E mais: pode criar uma relação afetiva com o seu público.

Histórias emotivas: mais uma vez, a emoção pode – e deve – ser usada para criar vínculo com o público. Conte uma passagem da sua vida que possa ter relação com a apresentação ou inspirar as pessoas. 

Nesse ponto, vale muito usar a jornada do herói para criar uma história fascinante, que prenda o espectador. Trata-se de um conceito de jornada cíclica, de desafios, transformação e evolução do percurso de um personagem para se tornar um herói, de acordo com o antropólogo Joseph Campbell.

Estatísticas chocantes: se houver algum dado que possa surpreender o público, use no momento certo e desperte de vez a sua atenção.

Ferramentas para Storytelling

O que não falta é opção de ferramentas que podem ser usadas para você criar sua apresentação de Data Storytelling. Escolha aquelas que melhor conversam com o tipo de trabalho que você quer apresentar.  Aqui vão algumas das mais usadas:

Piktochart, Easel.ly e Infogr.am: essas três ferramentas são usadas para criar infográficos;

TimeToast: cria cronologias com imagens e texto. A versão básica é gratuita e a versão paga é a partir dos $5.99 por mês.

Datawrapper: permite criar gráficos e diagramas circulares e integrá-los em um site.

Storify: permite contar uma história com a ajuda de diversos elementos visuais. 

Jupyter Notebook: ferramente para mesclar código com textos.

Markdown: linguagem de marcação simples que converte seu texto em XHTML. Pode formatar um código e adicionar elementos visuais como imagens e snippets

Cases de sucesso de Data Storytelling

Explicamos o que é o Data Storytelling, ensinamos como usá-lo e agora chegou o momento de provar a sua eficiência. E, para isso, nada melhor do que mostrar cases de grandes empresas mundiais que utilizam esse recurso dentro do marketing.

Por isso, selecionamos três exemplos que merecem ser compartilhados. Confira:

Slack

Essa é uma ferramenta de comunicação empresarial cada vez mais usada por equipes de trabalho. E o próprio Slack criou uma forma de se comunicar com seus clientes, fazendo uso da narrativa de dados.

Mensalmente, ao encaminhar a fatura, ele cria um diálogo de alto impacto, por enviar uma história visual comunicando as principais maneiras pelas quais seu cliente utilizou seu serviço.

Spotify

Já virou tradição para os usuários do Spotify: desde 2016, todo fim de ano, o aplicativo envia a campanha anual “Wrapped”, que é uma linha do tempo elaborada que mostra os números de minutos de reprodução de música naquele ano, os artistas e faixas mais ouvidos, e, mais recentemente, podcasts do ano. Essa recapitulações  envolve seus clientes, reforça o valor seu serviço e gera um grande número de engajamentos e compartilhamentos. 

FiveThirtyEight.com

Para o cientista de dados, Paulo Vasconcellos, essa é uma das maiores referências quando o assunto é deconstrução de Storytelling. O especialista destaca o post “Hip-Hop Is Turning On Donald Trump” como melhor exemplo por mostrar, “dentre outras coisas, como letras de hip-hop tem feito menções a Donald Trump e outros candidatos a presidência dos EUA no decorrer da história, tendo tais letras cunho ofensivo ou não”. 

Agora, é só colocar em prática essa habilidade na sua empresa. Comece hoje mesmo e surpreenda a sua equipe!

Hey,

o que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

One Reply to “Data Storytelling: como contar histórias com dados”

Cristina

Ótimo conteúdo, com boas dicas de Data Storytelling , diga de se passagem não sabia que tinha Storytelling para este fim.